domingo, 13 de maio de 2018

O encontro de Elvis Presley com Nixon. Foi há 47 anos


Era Dezembro de 1970. 
Elvis ocupava novamente o trono sendo a maior atração do showbusiness dos Estados Unidos, realizando espectáculos em Las Vegas com os bilhetes a esgotarem-se em minutos. 
O dinheiro entrava com água e o Rei gastava como um sultão. 

Mesmo com tanta prosperidade, a esposa Priscilla e o pai Vernon reclamavam que Elvis tinha gasto uma fortuna em presentes de Natal –  tinha comprado dez Mercedes-Benz e mais de 30 armas de fogo para dar aos amigos. Coisa pouca.
Elvis reagiu, dizendo que o dinheiro era dele e assim fazia o que lhe desse na telha. 

Então, aparentemente por puro impulso, saiu de casa embarcou no primeiro avião disponível, e vuou para Washington D.C. 
Instalou-se num hotel e de seguida rumou para o Texas. 
Em Dallas, entrou em contacto com o amigo de infância Jerry Schilling, um ex-guarda-costas que agora morava em Los Angeles e que na época trabalhava como editor de filmes na Paramount Pictures.

Elvis tinha uma missão. 
Contou ao amigo que iria voltar para Washington com o intuito de encontrar o presidente Richard Nixon. O problema é que ninguém sabia disso, muito menos o presidente e seus assessores. 
O motivo era que Elvis queria desesperadamente receber um distintivo, uma credencial de Agente Federal de Narcóticos e, mais, ser agente do FBI.


Esta foi a maior aventura da vida adulta de Elvis. 
Desde os 21 anos de idade, nunca tinha saído por conta própria ou circulado sozinho sem um exército de guarda-costas ou auxiliares. Mesmo com todos os riscos possíveis, Elvis parecia que estava a divertir-se – até usava um pseudônimo: “Jon Burrows”. 
Nos aviões e nos aeroportos, alegremente interagiu com os fãs, que não acreditavam estar cara a cara com o maior astro de rock de todos os tempos.

Elvis nunca se tinha ausentado sozinho por tanto tempo e não havia absolutamente nenhuma notícia do seu paradeiro. 
Foi então para  Los Angeles e encontrou-se com Schilling e pediu que este fosse a Washington buscar o guarda-costas Sonny West.
No voo, Elvis escreveu uma carta ao presidente de serviço na altura nos USA. Nela, atacava a cultura das drogas, reclamava do antiamericanismo que tomava conta do país e dizia a Nixon que poderia ajudar nessa cruzada.

Elvis chegou aos portões da Casa Branca e entregou pessoalmente a carta aos seguranças, que não acreditavam na cena. 
Depois de muitas idas e vindas, confusões burocráticas, negociações e conversas com assessores (afinal, quem iria esperar ver um Elvis à paisana rondando a Casa Branca?), o cantor finalmente foi recebido por Richard Nixon no salão Oval, no dia 21 de Dezembro de 1970. 


Ele, Schilling e West, com os seus cabelos compridos e trajes berrantes, contrastavam com a sisudez de Nixon e com o ar formal da Casa Branca. Mas houve empatia entre os dois seres tão diferentes. Elvis e Nixon se identificaram um com o outro. 

Ambos vinham de família humilde, serviram o exército e eram conservadores. Depois de troca de presentes, posaram para um foto oficial. Esta é até hoje a imagem mais requisitada do Arquivo Nacional do governo norte-americano. 

Elvis obteve uma credencial de agente para a colecção, mas, claro, nunca trabalhou para o governo. 

Para alguns, o encontro Elvis/Nixon foi um acto de irresponsabilidade e auto-indulgência por parte do cantor. Mas ninguém poderia negar o poder de fogo de Elvis. Se ele quisesse, por mero capricho, poderia simplesmente encontrar o presidente dos Estados Unidos. 

O incrível é que a história ficou secreta até 1972, quando foi revelada pelo jornal The Washington Post.

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